segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Desde quando o homem pinta as paredes? Um pouco da origem do Graffiti atual!

Pinturas Rupestres
De acordo com a história da arte, os primeiros registros de graffiti que podemos encontrar são as pinturas rupestres que representavam animais, caçadores e símbolos. Os materiais utilizados nas confecções de tais pinturas eram terras de tonalidades diferentes, sucos de plantas, ossos fossilizados ou calcinados, misturado com água e gordura de animais. Já diria Maurício Villaça: “Desde a pré-história, o homem come, fala, dança e graffita.” As tribos marcavam o seu território, o que não difere muito das "tribos urbanas" atuais que começaram a demarcar seus territórios com seus graffitis que atualmente já evoluíram para uma forma de expressão artística. Há uma curiosidade interessante: alguns autores ainda relacionam a semelhança das tribos antigas com as atuais em caráter comportamental. Os grafiteiros imprimem tatuagens no corpo, marcam-se com escoriações, colocam objetos perfurantes no corpo como piercings, alargadores, dentre outros, o que nos remete a comportamentos dos homens primitivos. Com relação às cores das tintas, em geral, elas são conseguidas adicionando pigmentos a uma base de tinta neutra, uma forma moderna para a antiga mistura de pigmentos com secreções.
Túmulo do Faraó Tutancamon
Na antiguidade, os túmulos dos faraós egípcios representaram um novo momento da pintura mural. Momento este em que os traços não eram mais espontâneos como os dos primitivos, mas sim elaborados. 
O Extremo Oriente, Índia, China e os povos mediterrâneos também utilizaram essa função de expressão artística. Em Pompéia, a inscrita nos muros foi preservada pela erupção do vulcão Vesúvio. Essas inscritas continham xingamentos, propagandas políticas e até mesmo poesias.
 Na Idade Média, muros de conventos eram pichados por padres que pertenciam a conventos rivais com o objetivo de expor ideologias, criticar doutrinas contrárias e difamar governantes.
Chegando ao século XX, temos as técnicas de pintura mural sendo utilizadas por pintores mexicanos. O intelectual revolucionário José Vasconcelos, após uma série de golpes de Estado, sobe ao poder e convida Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros para executar enormes murais. 
  Em 1905, o pintor Bernardo Carnada de pseudônimo Dr. AIL publica um manifesto defendendo a necessidade de uma arte pública. Em Barcelona, após quinze anos, Siqueiros fez um apelo aos artistas americanos para que todos promovessem uma arte capaz de chegar às multidões.  Ele diz: “Pintaremos os muros das ruas e das paredes dos edifícios públicos, dos sindicatos, de todos os cantos que se reúne gente que trabalha.”
  Nos anos 50, no Brasil, vários murais que narravam à história e a arte brasileira encontravam-se nas fachadas dos edifícios.
 Em 1968, com a revolta estudantil em Paris, o spray foi utilizado para protestar contra as instituições universitárias e manifestar a liberdade de expressão.
Muro de Berlim
O muro de Berlim, construído no início da década de 1960, possuía seu lado ocidental, encabeçado pela democracia capitalista dos Estados Unidos, tomado por pichações e graffiti de protesto contra o muro. Já seu lado oriental, era limpo e de pintura intacta sob o controle do regime socialista da União Soviética.  
No final de 1969 e início de 1970, as ruas de Los Angeles estavam repletas de pichações que tinham o objetivo de demarcar a disputa territorial pelo tráfico de drogas entre as violentas gangues Bloods (representada pela cor vermelha) e Crips (representada pela cor azul) .
  Muitos autores defendem que todos esses dados sobre muralismo somados à Pop Art teriam dado origem ao graffiti atual. Porém, temos a vertente que explica a origem do graffiti através da cultura Hip Hop.
No final da década de 60, em Nova Iorque (Estados Unidos), as condições sociais e políticas vigentes no período acabaram promovendo um contexto de rebeldia e auto-afirmação perante as instituições estatais.  Destas condições emergiram novas formas culturais, propiciadas pelas minorias marginalizadas que viviam nos guetos da cidade, quebrando os mecanismos de controle social em atuação. Uma dessas formas culturais foi a cultura soul, que viria influenciar diretamente a cultura Hip-Hop, como um movimento de cultura juvenil.
Dj Afrika Bambaataa
 O termo hip-hop foi criado pelo Dj Afrika Bambaataa e ele idealizou a junção dos elementos que compõem o movimento: o RAP – Rhythm and Poetry (música), o Breakdance (dança) e o Graffiti (arte plástica).  
O Rap surgiu como um estilo musical que tem uma forma de narração ritmada, originada do canto falado da África Ocidental e adaptada à música jamaicana da década de 1950. Foi também influenciado pela cultura americana dos guetos no pós-guerra. As letras das músicas denunciam a exclusão social e cultural, discriminação racial e violência policial através de longas descrições do dia-a-dia.
O Breakdance tem características específicas na expressão corporal. É realizado através de passos simétricos, dançado na vertical e horizontal, selecionando superfícies lisas e escorregadias. A dança foi inventada por porto-riquenhos insatisfeitos com a política e a guerra do Vietnã, com performances que imitavam os helicópteros de guerra e soldados que voltavam mutilados. Dançada pelos B-BOYS, ela já atingiu popularidade comparável a outras danças modernas.
O Graffiti, como os demais elementos, também surge como forma de manifestação, sendo uma expressão gráfica e plástica realizada por jovens. Surgiu em Bronx, bairro de Nova Iorque, onde os jovens escreviam e pintavam com tintas e spray em diferentes superfícies para passar mensagens para a sociedade. Acabaram por originar uma nova terminologia e uma nova linguagem icônica e textual.  Há quem defenda como eu já disse antes, que esta manifestação artística emergiu dos resquícios da Pop Art.
Eu com graffiti do grafiteiro ACME em Botafogo, Rio de Janeiro
A cultura Hip-Hop chegou à Europa nos anos 70, trazida por turistas curiosos sobre a expressão. Na década de 1980 se evidenciou na Europa como expressão cultural plenamente desenvolvida. Em Lisboa (Portugal), surgiu nos anos 90, se expandindo para a periferia e para centros urbanos como também ocorreu em outros locais. 
Em breve farei um pequeno post dando enfoque a história do graffiti no Brasil. E vamos curtindo os muros!



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