segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Falando de paixão

Paixão não tem perfil, acontece e pronto. Até e principalmente quando a gente não quer.

Paixão é passageira, assim como todo o resto.

Paixão dói, mas sara, assim como todo machucado. Difícil mesmo é se livrar das cicatrizes.

Paixão faz com que lágrimas caiam em rostos que não merecem sequer uma gota.

Paixão te destrói ao mesmo tempo que reconstrói.

Paixão é gostosa, te faz sonhar acordada.

Paixão seduz, conduz e te reduz a nada, pois não há o que fazer.

Mas o pior da paixão é quando ela vira amor, pois se tratando de amor, ninguém é normal.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Graffiti e turismo?

          Resolvi escrever sobre algo que gosto muito, uma de minhas paixões, mas que até então não tinha espaço nesse blog por causa da minha cabeça perturbada. Vou falar um pouco sobre graffiti e relacioná-lo com o turismo (como boa turismóloga e amante de arte que sou. haha). Bom, ele é uma manifestação artística que ao meu ver pode ser considerada um atrativo turístico como demais manifestações existentes. Para quem não sabe e acredito que muita gente não saiba sobre esse tipo de definições, um atrativo turístico é todo lugar, acontecimento ou objeto que determina a seleção, por parte do turista, do local de destino de uma viagem, ou seja, gera uma corrente turística até a localidade. A partir do meu interesse pelo graffiti, resolvi pesquisar sobre locais grafitados que geram fluxo turístico e tive felizes surpresas. Vou citar uns exemplos. 

The Wynwood Walls
Temos a The Wynwood Walls, em Miami, que é uma galeria de arte inaugurada em 2009 e rodeada de murais grafitados por artistas de rua de várias nacionalidades. Dentre eles, contamos com a presença dos brasileiros Os Gêmeos (Gustavo e Otávio Pandolfo) e Nunca. Há graffiti do japonês Aiko, do grego Stelios Faitakis e dos americanos Clare Rojas e Kenny Scharef no local. Característica importante a ser contemplada aqui é o fato de galerias de arte e restaurantes virem se instalando no local que atrai visitantes, estimulando ainda mais o fluxo turístico. Mais informações (http://thewynwoodwalls.com/).

Castelo de Kelburn
             Na Escócia, o Castelo de Kelburn exibe em sua fachada um colorido e psicodélico graffiti feito por artistas brasileiros no ano de 2007. O conde de Glasgow convidou quatro artistas (Os Gêmeos, Nunca e Nina) para fazer a obra de arte em parte da construção em caráter temporário. O Projeto Grafite gastou 1,5 mil latas de tinta spray para decorar a construção do século 13. O mural se tornou um grande atrativo para visitantes, sendo o castelo um dos símbolos da Escócia, presente em folhetos promocionais do país, cartões postais e camisetas, mas seu período de existência conforme planejado era de três anos e chegou ao fim. O dono do castelo, Patrick Boyle, escreveu para o Historic Scotland, entidade governamental que assessora os órgãos públicos do país responsáveis por edifícios históricos, pedindo para que a obra continue no local devido a todo o sucesso gerado. O que atraia os visitantes para a região anteriormente eram as trilhas no meio do mato e o contato com a natureza, mas depois da pintura do castelo, o número de turistas aumentou em cerca de 20%.

 Museu Aberto de Arte Urbana - Avenida Cruzeiro do Sul
Em São Paulo, foi criado um Museu Aberto de Arte Urbana na Avenida Cruzeiro do Sul. A iniciativa ocorreu após alguns grafiteiros terem sido presos por estarem pintando as pilastras do metrô do mesmo local, porém sem autorização. Após a prisão, os grafiteiros apresentaram um projeto maduro para a Secretaria de Cultura de São Paulo e receberam apoio. Ao todo são sessenta e oito murais que ocupam o trecho das estações Santana, Carandiru e Tietê.

Casa-tela de Origem histórica do Cantagalo
Nas favelas Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, situadas na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, existe o circuito das Casas-Tela.  Trata-se de uma Galeria de Arte a Céu Aberto na Favela. As obras de arte contam a história e memórias das três favelas que compõem o território, desde os escravos fugidos que se acoitavam no Maciço do Cantagalo, as primeiras construções de barracos nos anos de 1907, até os dias de hoje, quando 20 mil moradores domiciliados nesse novo museu territorial a céu aberto lutam contra a segregação social das favelas no contexto da Cidade do Rio de Janeiro e pela sua inclusão funcional urbana e sócio-econômica  no contexto de Ipanema e Copacabana,  destinos turísticos internacionais do Rio de Janeiro.

Bambas da Lapa

        Existe ainda um caso recente no Rio de Janeiro: o paredão de 300 m² onde foi confeccionado um painel, em frente aos Arcos da Lapa (coloquei uma foto minha! haha). A iniciativa faz parte do programa de revitalização da área. Os grafiteiros fizeram desenhos que representam os símbolos da região, como o boêmio e o malandro e este painel, além de revitalizar tem como objetivo divulgar a arte do spray e deixar o local mais bonito para receber turistas.



Todos esses casos citados mostram como o graffiti tem sido difundido como arte das ruas e manifestação que revitaliza. A arte por si só atrai e o graffiti é uma arte que revitaliza e além de tudo, uma arte acessível que se encontra no espaço público, nos grandes centros urbanos, que de maneira geral, são grandes receptores de turistas. O seu reconhecimento como atrativo turístico agrada aos artistas e aos turistas e já existem roteiros sendo vendidos por agências de viagens. Aos turistas interessa, pois se há um produto disponível no mercado, há um público interessado em consumir este produto, e por sua vez, surge um novo nicho de mercado turístico que precisa ser analisado e planejado.
Se entendemos o graffiti como arte, podemos considerar que este pode se adequar na tipologia ou no segmento do turismo cultural.  Ele ainda pode ser visto como um elemento que revitaliza o patrimônio arquitetônico (paredes, túneis, passagens, etc), tornando os locais mais agradáveis. 
O graffiti seria um atrativo que mostra a identidade do local, pois o traço dessa arte muda de artista para artista e de local para local. É uma manifestação artística e expressão de identidade de um grupo social
A entrada do graffiti em galerias e museus abre uma nova oportunidade para ele atingir um maior público. Museus e galerias sempre atraíram grande número de turistas e a entrada do graffiti nesses ambientes é mais um ponto alto para que ele seja um atrativo.
Ele tem potencial para ser um atrativo turístico democrático, pois se encontra nas ruas, sendo de fácil acesso a toda a sociedade e tem gerado um fluxo de pessoas que o buscam. Com um público engajado nas questões sociais e artísticas, o graffiti tem fortes chances de ser o novo atrativo turístico dos grandes centros urbanos, propondo uma nova revolução no campo das artes e no turismo.
Eu tinha pensado em falar um pouco sobre  a história do graffiti, mas esse post já está muito grande, é melhor deixar para um próximo. Espero que tenham gostado um pouco do apresentado e que dêem mais valor aos muros quando passarem por um.