Falar sobre o “sonho brasileiro” é uma tarefa muito árdua, até porque as pessoas são diferentes, pensam diferente e agem diferente. Porém, diante do cenário no qual o país se encontra, futura sede de uma copa do mundo e de uma olimpíada, pode-se dizer que a auto-estima do brasileiro aflora e ele começa a sonhar.
Acredito que esses grandes eventos são ótimas oportunidades para o país melhorar. É no planejamento de tais eventos que o governo deve investir no sistema de transportes e na infra-estrutura das cidades, deixando assim um legado positivo para a sociedade. Fato é que o povo sonha, se deslumbra com os eventos e certamente grande parte dos brasileiros não terão acesso a eles, já que seus ingressos serão muito caros. O povo deve se empenhar para progredir se qualificando, trabalhando e estudando. Também deve-se pensar no depois. E depois? Quando esses eventos passarem, o que acontece? São necessárias medidas que estabeleçam que essa auto-estima não desapareça. O que acontece com grande parte da infra-estrutura criada? Não queremos que ocorra o que aconteceu depois do Pan Americano, já que praticamente toda a estrutura construída não foi mais utilizada. Medidas devem ser tomadas para que isso não ocorra após esses grandes eventos. Pensando no setor turístico, tem que haver investimento em marketing mostrando o que o país tem a oferecer, pois depois a infra-estrutura criada não pode simplesmente ficar vazia. O que acontecerá com toda a rede hoteleira que será construída para esses eventos? Todas essas questões tem que ser analisadas e propostas criativas tem que surgir a partir desta análise.
O grande sonho brasileiro, na verdade, é educação de qualidade para todos, essa simples palavra é capaz de mudar “mundos”. Com educação se consegue quase tudo. O povo também precisa de saúde, respeito e qualidade de vida. Que não exista mais miséria, violência, corrupção, injustiças, desemprego, analfabetismo, ignorância e degradação da natureza. O povo brasileiro é um povo carente, muitas vezes se conforma com o pouco que lhe é dado e se sente satisfeito. Essa carência tem que ser esquecida. O povo quer ser mais ativo, quer lutar mais por seus direitos, mas muitas vezes tem medo.
O Brasil não quer ser conhecido somente como o país “samba, praia e bunda”. Ele é muito mais que isso, é um país riquíssimo, respira cultura, seja ela popular ou erudita. Não defendo os “guetos”, a cultura do funk, a do hip hop, a do samba, a da música clássica, defendo o conjunto da obra, defendo o que é produzido. É cultura, é vida, é arte. Gostos nunca serão os mesmos. O país é diversidade e é essa diversidade que o torna tão rico e interessante. E é por essa sua diversidade que o Brasil quer ser conhecido. Ele é sim o país do futebol, mas é também o país do samba, das belezas naturais, do artesanato, dos museus, do negro, do branco, do índio, do mulato, da música erudita e do funk, da diversidade climática, do jeitinho brasileiro, dos artistas de rua, do teatro, das novelas, do bem-receber, do grafite, da poesia, de Machado de Assis, de Jorge Amado, de Oscar Niemeyer, do Maracanã, do Pelourinho, do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, do Ibirapuera, das Cataratas do Iguaçú, do esforço, do trabalhador, do boêmio e de tudo mais que se possa pensar. O Brasil quer ser respeitado, quer acreditar que pode e ele pode. É um potencial incrível que só tem que ser bem explorado, uso a palavra “explorado”, mas que seja esse um explorar sustentável, visando sempre um enriquecimento da nação em todos os aspectos, preservando para mantermos o que temos de bom. Por que focar somente no “gueto”, ou somente nas belezas naturais ou o que quer que seja, se nós temos tudo? Respeitemos as culturas dos outros e absorvamos um pouco de cada. Essa é a graça de ser brasileiro. Quantas coisas temos pra desfrutar? Em que outro país encontra-se um povo tão alegre? As pessoas tem que respeitar umas as outras, seus gostos, sua cultura. No momento que todos se respeitarem, será mais fácil termos o respeito de quem nos vê de fora.
Brasil é diversidade, logo, acredito que o sonho brasileiro é ser reconhecido por tudo que é e não somente por poucas potencialidades que muitas vezes levam a uma visão ruim do país. Educação, saúde, cultura, arte, segurança. Palavras pequenas, porém expressivas.