domingo, 19 de setembro de 2010

RADICAL

Hoje não tem 
fossa e bolero
nem lentas sílabas
de drama e espera.

Sofrer? Não, hoje não quero!

Que venha a dor aguda
de ser afinada
nesse corpo grave
e ao me jogar nas cordas
da sua guitarra,
que eu tenha a pele toda recortada.

Vai me Fender, enfim, 
no seu colo ávido
quando soar metálica
entrecortada
e trágica
entre seus dedos
mágicos.

Essa noite é heavy metal.
Vou ceder, elétrica, 
ao som de um Sepultura,
Def Lepard overture, 
overdose hardcore
(qualquer coisa que arda e cure).

Ainda que depois eu sobre
flor esmagada
entre suas partituras.

Flávia Perez

3 comentários:

  1. Nunca imaginei de forma tão poética o ato de tocar guitarra! Muitas vezes a forma de tocar se sobrepõe à reverberação das notas...é quando o sentimento do coração se transfere para os dedos e torna a harmonia do conjunto musical um esplendor de sons e sentidos! Gostei do poema, parabéns pelo bom gosto! Beijos

    ResponderExcluir
  2. Que linda! Parabéns pelo blog, Fê! Nada me deixa mais em paz do que escrever sobre o que eu penso e sinto, e por isso, incentivo quando vejo alguém trilhando esse caminho. Estarei aqui sempre que puder!
    Beijos e sorte!

    ResponderExcluir
  3. Essa é uma poesia da Flávia Perez... A conheci num Sarau aqui do Rio e comprei seu livro de poesias. Vale a pena! São poesias apimentadas. Ela tem umas sacadas geniais! A quem interessar procure sua obra na internet!

    ResponderExcluir